Júri decide futuro de OpenAI após batalha judicial entre Musk e Altman
Terceira semana do julgamento expôs conflitos sobre controle, lucro e missão original da empresa de IA
A terceira e última semana do julgamento entre Elon Musk e Sam Altman terminou com acusações mútuas sobre credibilidade e motivações reais. O júri inicia deliberações na segunda-feira e deve entregar um veredicto consultivo já na próxima semana — embora a decisão final caiba à juíza Yvonne Gonzalez Rogers.
Musk pede à corte que desfaça a reestruturação de 2025 que converteu a subsidiária lucrativa da OpenAI em uma corporação de benefício público (PBC) e que remova Altman da liderança. Se a juíza decidir a favor de Musk, o resultado pode desmantelar a corrida da OpenAI rumo a um IPO avaliado em quase US$ 1 trilhão.
Acusações cruzadas dominam encerramento
Durante os argumentos finais, a advogada da OpenAI, Eddy, argumentou que Musk processou tarde demais — e que sua verdadeira motivação é sabotar um concorrente de sua própria empresa de IA, a xAI, lançada em 2023. "Ele nunca se importou com a estrutura sem fins lucrativos", disse Eddy. "O que ele queria era vencer."
Sam Altman, sentado atrás de seus advogados, demonstrou desconforto visível cada vez que seu nome era mencionado. Musk, por sua vez, esteve ausente — apesar da ordem da juíza para que permanecesse presente.
O advogado de Musk, Molo, concentrou-se na mudança de estrutura. Musk testemunhou ao júri que a avaliação de US$ 20 bilhões em 2023 o fez perceber que "a subsidiária lucrativa é o rabo abanando o cachorro". Molo reforçou: "O acordo de 2023 foi diferente."
OpenAI ainda é uma organização sem fins lucrativos?
Uma questão central levantada na última semana foi se a OpenAI permanece comprometida com sua missão original: desenvolver inteligência artificial geral (AGI) de forma segura para o benefício da humanidade. Eddy argumentou que a organização sem fins lucrativos ainda controla a subsidiária lucrativa e busca cumprir essa missão.
O julgamento levantou mais perguntas do que respostas sobre como gigantes de IA devem ser governados — especialmente quando bilhões de dólares e poder de mercado entram em jogo.
Segurança de IA rouba a cena — de novo
Apesar do alerta da juíza Yvonne Gonzalez Rogers na primeira semana de que o julgamento não tratava de segurança de IA, o tema dominou novamente os debates. Advogados de ambos os lados negociaram argumentos sobre riscos, controle e responsabilidade no desenvolvimento de sistemas avançados de IA.
O caso expõe uma tensão fundamental: como equilibrar inovação acelerada, retornos financeiros bilionários e compromissos públicos com segurança e benefício coletivo?
O que vem a seguir
O veredicto do júri será consultivo, mas influenciará a decisão final da juíza. Se Musk vencer, a OpenAI pode ser forçada a reverter sua estrutura corporativa e adiar — ou cancelar — planos de IPO. Se Altman prevalecer, a empresa consolida seu caminho rumo a se tornar uma das companhias de tecnologia mais valiosas do mundo.
Independentemente do resultado, o julgamento já deixou claro: a governança de empresas de IA que prometem transformar a sociedade será cada vez mais contestada — nos tribunais, na opinião pública e nos corredores do poder.
