Mais de 700 funcionários da Covalen, uma empresa terceirizada pela Meta em Dublin, na Irlanda, receberam a notícia devastadora de que seus empregos estão em risco. Este corte, anunciado em uma reunião por vídeo na última terça-feira (28), não é apenas uma demissão em massa, mas um sinal claro de como a inteligência artificial está sendo usada para substituir trabalhadores humanos, mesmo aqueles que ajudaram a treinar essas mesmas tecnologias.
Big Techs em Transição: Investimentos Bilionários em IA
O setor de tecnologia está vivendo uma transformação acelerada, com empresas como Meta, Amazon e Microsoft despejando bilhões em inteligência artificial (IA). Só a Meta planeja investir US$ 135 bilhões em IA até 2026, um valor equivalente ao total gasto nos três anos anteriores combinados, segundo a Bloomberg. Esse movimento reflete uma aposta estratégica: automatizar processos, reduzir custos e aumentar eficiência, mesmo que isso signifique cortes massivos de pessoal.
Desde 2020, quase 900 mil trabalhadores do setor de tecnologia foram demitidos globalmente, conforme dados do Layoffs.fyi. Em 2026, já são mais de 92 mil cortes, com a Meta sozinha reduzindo 10% de sua força de trabalho global — cerca de 8 mil pessoas — além de encerrar 6 mil vagas abertas. Essas demissões não são apenas ajustes financeiros; são parte de uma reestruturação profunda, onde a IA está no centro da estratégia de longo prazo.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, já havia sinalizado essa mudança em janeiro, afirmando que 2026 seria o ano em que a IA começaria a “mudar drasticamente a forma como trabalhamos”. Para empresas terceirizadas como a Covalen, que dependem de contratos com gigantes como a Meta, o impacto é ainda mais brutal, pois elas não têm o mesmo poder de barganha ou proteção.
Covalen em Dublin: 700 Empregos Substituídos por IA
Na última terça-feira (28), mais de 700 funcionários da Covalen, empresa contratada pela Meta em Dublin, foram informados de que seus empregos estão em risco. A comunicação foi feita em uma breve reunião por vídeo, sem espaço para perguntas, conforme relatado por Nick Bennett, um dos trabalhadores, à WIRED. Cerca de 500 desses funcionários são anotadores de dados, responsáveis por revisar conteúdos gerados por modelos de IA da Meta e garantir que não violem regras contra material perigoso ou ilegal.
A justificativa oficial da Meta foi clara: a empresa planeja implementar sistemas de IA mais avançados nos próximos anos, reduzindo a dependência de fornecedores terceirizados como a Covalen. Um e-mail genérico enviado aos trabalhadores mencionou “redução de demanda e requisitos operacionais”, mas a mensagem subjacente é inegável — a tecnologia que eles ajudaram a treinar está agora tomando seus lugares. Um funcionário anônimo da Covalen disse à WIRED: “É essencialmente treinar a IA para tomar nossos empregos. Tomamos ações como a decisão perfeita para a IA imitar.”
Este não é o primeiro corte na Covalen. Em novembro do ano passado, cerca de 400 demissões já haviam sido anunciadas, levando a uma greve dos trabalhadores. Com essas duas rodadas, o número de funcionários da empresa em Dublin está a caminho de ser reduzido pela metade, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Comunicações (CWU).
O Custo Humano da Automação nas Big Techs
Além dos números, o que está em jogo aqui é uma questão ética e econômica mais profunda: quem paga o preço pela automação? Os trabalhadores da Covalen, que realizavam tarefas emocionalmente desgastantes como revisar conteúdos de abuso sexual infantil ou descrições de suicídio, não apenas perderam seus empregos, mas também enfrentam um período de “resfriamento” de seis meses, durante o qual não podem se candidatar a vagas em outras empresas contratadas pela Meta. Isso os deixa em um limbo profissional, enquanto a Meta avança com seus bilhões em IA, sinalizando que o futuro do trabalho pode ser cada vez mais desumanizado.
Essa tendência não é exclusiva da Meta. Amazon cortou mais de 30 mil funcionários, Oracle mais de 10 mil, e a Microsoft ofereceu buyouts voluntários para 7% de sua força de trabalho nos EUA. O que isso revela é uma priorização clara de eficiência e lucro sobre a estabilidade de trabalhadores, especialmente os terceirizados, que são tratados como “descartáveis”, nas palavras de Christy Hoffman, secretária-geral da UNI Global Union. O impacto vai além do individual — é uma transformação estrutural que pode redefinir o mercado de trabalho em tecnologia.
Negociações e o Futuro do Trabalho com IA
O Sindicato dos Trabalhadores em Comunicações (CWU) está pressionando por negociações sobre indenizações para os demitidos da Covalen e planeja reuniões com o governo irlandês para discutir o impacto da IA no setor. Enquanto isso, a Meta segue com sua estratégia de automação, e os trabalhadores afetados enfrentam incertezas sobre seu futuro profissional. Este caso pode ser um ponto de inflexão para debates regulatórios sobre como equilibrar inovação tecnológica com proteção trabalhista nos próximos anos.
Fonte: Canaltech
